Um erro comum e muito corrente são as traduções de termos como “Polícia Militar” ou “policiais militares” para o idioma inglês (bem como outros). Ao se confeccionar os currículos, mais especificamente para cargos na Police Division das Nações Unidas, convém se ressaltar que existe uma clara e completa separação entre “Polícia” e “Forças Armadas” no âmbito da ONU, pertencendo inclusive a pilares completamente distintivos dentro da estrutura organizacional do Departamento de Operações de Paz (DPO). Cada um tem suas competências e não deveriam se misturar ou haver um overlapping. As análises dos termos militares usados pelas Corporações Policiais Militares no Brasil geram muitas dúvidas, confusões e necessidade de explicação aos policiais que trabalham no recrutamento e seleção.
O termo “Military Police” nunca deve ser a tradução para Polícia Militar. “Military Police -MP” é a tradução comum no idioma inglês para o que seria no Brasil a “Polícia do Exército – PE”. “Military Police” são as unidades de polícia das Forças Armadas, com incumbência disciplinares e criminais militares no âmbito de sua Força.

A ONU segue os conceitos e princípios internacionais de polícia, que tem como fim o policiamento e a prestação de serviço à sociedade civil. As instituições policiais podem ter de administração civil, militar, paramilitar, ou com estatuto militar, mas se tiverem como atribuição legal servir a sociedade no policiamento administrativo/judiciária não podem ser consideradas “Military Police”, as quais são polícias das Forças Armadas.
Mas quais seriam as traduções mais adequadas? Isso é complicado. As polícias militares brasileiras devem ser as únicas que tem o nome “militar”. As demais, não. Exemplos: Carabinieri (Itália), Gendarmerie (francesa e todas as demais), Guardia Civil Espanhola (Espanha), Guarda Nacional Republicana (Portugal), Gendarmeria (Argentina), dentre outras. Convem ressaltar que instituições tidas comomilitares, i.e., Carabineros de Chile e a Policia Nacional deColombia são instituições civis, por mais que muitos pensem que são militares. Entretanto, têm ethos e as normas são similares as instituições militares. Para melhor esclarecer, para a ONU, militar é um termo usado para integrantes das Forças Armadas dos estados-membros, enquanto que os policiais (independentedo seu regime administrativo) são considerados “especialistas civis/policiais”.
Assim, segue abaixo algumas sugestões de adaptação dos termos para policiais militares brasileiros (importante ressaltar que nos curriculum não há espaço para nota de rodapé para uma melhor explicação).
-State Police (Pernambuco State Police). Convém escrever entre aspas ou parênteses logo após “Gendarmerie” ou“Police Institution with Military Statute”.
- Ex 1: Pernambuco State Police (Gendarmerie)
- Ex 2: Pernambuco State Police (Police Institution with Military Statute)
- Ex 3: Federal District Police (Gendarmerie)
- Ex4: Federal District Police Department (Gendarmerie type)
- Essa linha de pensamento segue para nomes de academias(não colocar “Military Academy”, por exemplo), nomes de cursos ecargos/funções.
- No caso de textos científicos sugere-se colocar o nomee acrônimo em língua portuguesa e em nota de rodapé explicar ascaracterísticas.
- Se alguém diz que é um “Military Officer” pensarão se tratar de militar das Forças Armadas. Sugere-se o simples “Police Officer”
- “Police officer” não significa “oficial de Polícia”, mas apenas policial.
As Polícias Militares têm como origem conceitual a gendamerie, instituições que evoluíram ao longo das décadas e que em sua realizam policiamento civil junto as suas comunidades, concomitantemente com as polícias civis nacionais e locais, sendo que todas realizam o que no Brasil se chama ciclo completo de polícia, modelo binário e arcaico ainda em vigor no país. Existe, portanto, a necessidade de adaptação dos termos utilizados a fim de que algumas aplicações não sejam consideradas como sendo para os componentes militares e não policiais da ONU.