Coronavírus: ONU alerta para repressão policial durante isolamento

Nações são acusadas de prender centenas de milhares de pessoas que teriam violado medidas de confinamento; Michelle Bachelet cita detenções e ataques a tiros.

Integrante do Serviço de Polícia da África do Sul faz com que suspeitos de violarem regras de isolamento fiquem deitados no chão em Joanesburgo, na África do Sul, na sexta-feira (27) — Foto: Luca Sola / AFP

O escritório de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) expressou preocupação nesta segunda-feira (27) com mais de uma dezena de países que declararam estados de emergência devido à pandemia de Covid-19 onde a polícia prendeu ou deteve centenas de milhares de pessoas e matou outras.

“Poderes de emergência não deveriam ser uma arma que governos podem brandir para sufocar a dissidência, controlar a população e até se perpetuar no poder” – Michelle Bachelet.

A Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU publicou um comunicado que denuncia ataques a tiros e detenções, mas sem entrar em detalhes.

Algumas nações prenderam ou detiveram centenas de milhares de pessoas por violarem medidas de confinamento ligadas à pandemia – as Filipinas encabeçam a lista com 120 mil apreensões por violações do toque de recolher nos últimos 30 dias

Países mais violentos

Uma autoridade graduada de seu escritório disse que cerca de 80 países declararam emergências devido ao novo coronavírus, incluindo 15 nos quais a alegações foram consideradas mais perturbadoras.

São eles Nigéria, Quênia, África do Sul, Filipinas, Sri Lanka, El Salvador, República Dominicana, Peru, Honduras, Jordânia, Marrocos, Camboja, Uzbequistão, Irã e Hungria.

Mas Georgette Gagnon, diretora de operações de campo, acrescentou em uma vídeoconferência em Genebra que “provavelmente há várias dúzias mais que poderíamos ter ressaltado”.

“Uma grande preocupação em relação às medidas de emergência excepcionais é o que tem sido descrito como uma cultura de isolamento tóxica em alguns países”, disse Gagnon. “Como a Alta Comissária ressaltou, a polícia e outras forças de segurança estão usando força excessiva e às vezes letal para impor isolamentos e toques de recolher”.

No início de março, o presidente filipino Rodrigo Duterte autorizou sua polícia a “atirar para matar” quem estivesse descumprindo com as normas de isolamento.

Fonte: G1

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